UNHA DE GATO
Nome botânico: Uncaria guianensis/ Uncaria tomentosa
Família: Rubiáceas
Parte utilizada: raiz.
Nomes populares: unha-de-gato, unha-de-cigana, garra-de-gavião, cat’s claw, carrapato-amarelo.

uncaria tomentosa

Histórico

Planta medicinal mais popular no Peru, a unha de gato (Uncaria tomentosa) é um arbusto trepador que cresce apoiada a outra árvore, com folhas compostas, opostas e ovais. O nome vem da semelhança de seus espinhos com as unhas de gato sendo assim, conhecida nos Estados Unidos
Os incas pioneiros em seu uso, já tinham por hábito beneficiar-se de seus princípios ativos e passaram os seus conhecimentos da planta para os índios que a usavam no tratamento de doenças como artrite, gastrite, reumatismo e inflamações em geral. Acredita-se que os indígenas do Peru usam-nas pelos menos por 2 mil anos e hoje, exportam suas hastes e ramos para vários países.
. Em 1994 a Organização Mundial de Saúde organizou na Suíça uma conferencia internacional sobre esta planta, recebendo o reconhecimento oficial como “planta medicinal”. Nenhuma outra planta tropical, depois da quina-quina (Cinchona calisaya) no século XVII, havia recebido tão ampla atenção.
Aspectos botânicos .

Arbusto vigoroso e robusto, pouco ramificado, perenifólio, de ramos escandentes ou trepadores com um espinho em forma de gancho em cada axila foliar, de 30 m de comprimento (quando cresce isolado fora da mata forma uma pequena touceira de hastes mais ou menos verticais de ate 5 m de altura).
Folhas simples, opostas, pecioladas, membranáceas, de 5-10 cm de comprimento. Inflorescências em glomérulos axilares, pedunculados, de forma perfeitamente globosa, com flores branco-amareladas, sendo estas numerosas e pequenas, apresentando um cálice e corola de tipo tubular e infundibuliforme com cinco dentes. como Cat’s Claw.
Estudos Etnofarmacológicos .
Alguns representantes deste gênero são amplamente empregados na medicina popular. U. sinensis é utilizada secularmente na medicina tradicional chinesa para o tratamento de desordens nervosas e de febre. Na Tailândia, U. callophylla é indicada para tratamento de várias enfermidades, incluindo a hipertensão. A espécie U. glabata, na Sumatra, é empregada na medicina tradicional como remédio contra intoxicação alimentar e U. gambir, na Malásia, na forma de pasta e loções para alívio de queimaduras e enfermidades da pele.
Ambas as espécies de Uncaria citadas são amplamente empregadas na medicina caseira para os mesmos fins, indiferentemente. Contudo, alguns autores afirmam que os efeitos de U. guianensis são inferiores para alguns tipos de tratamento.
Na amazônica é típica de floresta primaria. Espécie pouco freqüente apresenta uso popular amplo e localizado e encontra-se sob regular pressão antrópica. O extrativismo é a principal forma de exploração da espécie que visa atender ao mercado externo e regional.

Usos .

Pesquisas comprovaram a sua eficácia nas ações antiinflamatórias. No tratamento de amidalite, sinusite e rinite. Outro benefício que a planta traz, são os tratamentos de doenças reumáticas e musculares, principalmente em pessoas que estão na terceira idade.
Indígenas da Amazônia empregam esta planta para o tratamento de uma ampla gama de moléstias, como asma, artrite, reumatismo, como antiinflamatória do trato urinário e purificador dos rins, para a cura de ferimentos profundos e controle da inflamação de ulceras gástricas, dores nos ossos e ate câncer. A espécie U. guianensis é empregada pelos indígenas do noroeste do Amazonas na forma de chá de seus ramos mais finos para o tratamento de disenteria.
A maior atenção dispensada a esta planta ate hoje é relativo à presença em suas raízes e cascas de alcalóides oxindólicos, com vários estudos relatando o poder de estimular o sistema imunológico em ate 50%. Isto induziu, em todo o mundo, o seu amplo uso como adjuvante no tratamento da AIDS, do câncer e de outras doenças que afetam o sistema imunológico, como herpes genital e herpes zóster.
Através de seu mecanismo imunoestimulante e antimutagênico, pode ser empregada para o tratamento de tumores metastásicos, sarcoma de Kaposi e candidíase.
Outra propriedade desta planta que vem merecendo ampla atenção dos cientistas atualmente é a antiinflamatória, principalmente os “glicosídeos do ácido quinóvico”, considerados os mais potentes antiinflamatórios encontrados em plantas, capazes de inibir inflamações em ate 69%.
Com estes resultados validou-se sua longa historia de uso indígena desta planta contra artrite e reumatismo, bem como contra outros tipos de inflamações associadas com vários males do estomago e ulceras, onde se mostrou clinicamente eficaz.
Esta planta contém ainda outros alcalóides em que estudos farmacológicos demonstraram atividades vasodilatadora e hipotensiva.
A casca é usada popularmente contra diarréia, cistite, gastrites, diabetes e viroses, tendo ação imunoestimulante e antiinflamatória.

Composição química.

Os princípios ativos de maior interesse são os alcalóides oxindólicos e os compostos glicosídeos do ácido quinóvico que demonstram ser os responsáveis pelos efeitos antiinflamatórios.
Alcalóides: rincofilina, isorincofilina, mitrafilina, dihidrocorianteína, pteropodina, uncarina.
Polifenóis,
Procianidinas A, B1, B2, B4,
Glicosídeos e triterpenos do ácido quinóvico,
Fitosteróis (B-sitosterol, estigmasterol, campesterol),
Ácido oleânico e um alcalóide indólico.

Propriedades Farmacológicas/ Farmacocinética .

Efeito imunomodulador e anti-tumoral: a atividade anti-tumoral se consegue a partir da estimulação dos processos de fagocitose, por meio de extratos alcoólicos previamente alcalinizados, logo tratados com etilacetato e posteriormente acidificados. Chegou-se a esta conclusão após realizar teste com granulócitos medindo a atividade defensiva dos glóbulos
brancos, bem como por técnicas de quimioluminescência, que mede o grau de fagocitose dos leucócitos por meio de multiplicadores de luz.
A atividade fagocitária foi observada através de uma maior proliferação de granulócitos neutrófilos e macrófagos, uma vez que existia uma maior produção de linfoquinas (substâncias de intercomunicação linfocitaria).
O número de monócitos também teve um aumento substancial. Os granulócitos aumentaram em 60% seu poder fagocitário em presença de extratos a 0,01%. Já os linfócitos T, não apresentaram modificações proliferativas, mas sim baixa presença de antígenos, a qual abre uma porta a investigações de enfermidades como Sarcoma de Kaposi, candidíases sistêmica, herpes e câncer.
Em Munique, um grupo de investigadores, estudou a atividade imunoestimulante e o efeito biológico sobre os eritrócitos e diferentes cepas bacterianas. Para eles, o principio ativo de maior interesse estava representado pelos alcalóides oxiindólicos que apresentam um grande efeito antiinflamatório.
De acordo com essas investigações, se pode comprovar que o conjunto de alcalóides precisa de muitas propriedades farmacológicas, salvo quando se encontra ligado a um tanino denominado catequina a 10%. Não obstante, os extratos livres de taninos têm demonstrado conservar a atividade contra determinados vírus in vitro, produzindo uma inibição da síntese de DNA em sarcomas e um aumento do nível de imunoglobulinas em pacientes afetados por melanoma.
Por outro lado, os glicosídeos do ácido quinóvico e os alcalóides influíram sobre a atividade macrofagocitária, aumentando a mesma e permitindo assim eliminar complexos imunizantes determinantes de asma brônquica.
A unha de gato possui também atividade anti-mutagênica, antioxidante, antiinflamatória e anti-viral.
Contra-indicações: não deve ser utilizada durante a gravidez, lactação e em crianças menores de três anos, isto devido à falta de estudos relacionados. Também deve ser evitado em pessoas portadoras de transplantes, é aconselhado esperar um ano após o termino do tratamento com a planta para se aceitar um transplante. Recomenda-se não tomar U. tomentosa dois dias antes e depois da aplicação de quimioterapia, devido ao seu forte efeito imunoestimulante.

Precauções: Evitar utilizar em doses superiores à recomendada na literatura
Toxicidade: As doses usuais são bem toleradas. Ocasionalmente se têm verificado casos de febre, constipação ou diarréia, que antecedem a suspensão da medicação. Verificaram-se também sintomas pancreáticos e alterações de nervo óptico. Em altas doses, tem se verificado um efeito contraceptivo.

Foi demonstrado que o uso por tempo prolongado (8 semanas) da unha de gato resultou em queda dos níveis de estradiol e progesterona no soro. Desta forma, recomenda-se que o tratamento não ultrapasse 2 meses, exceto por orientação médica.

A probabilidade de ocorrer algum episódio de intoxicação por unha de gato é praticamente nula, visto que necessita de grande quantidade da mesma sendo ingerida em um dia. Pode ocorrer toxicidade subaguda devido ao longo período de uso, por isso é indicado o uso durante 60 dias, com um mês de descanso.

Indicações:

Emprega-se produtos feitos a partir dos principios ativos da Unha de Gato
para tratamento de inflamações osteoarticulares, como artrite, no
tratamento da amidalite; sinusite, bursite, rinite, gastrite, no tratamento
de inflamações geniturinárias, asma, úlcera gástrica; diabetes; infecções
virais; em alterações do ciclo menstrual e convalescença.

Modo de usar:
– Infusão (chá, extrato aquoso, decocção), 5 g de entrecasca/ 150 mL de água: tomar 150mL, 2 a 3 x ao dia.

Unha de gato1

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